Pesquisador de Harvard é acusado por sonegar valores recebidos da China

O ex-diretor do Departamento de Química e Biologia Química da Universidade de Harvard foi acusado na terça-feira (28) de sonegação fiscal por não reportar os rendimentos que recebeu da Universidade de Tecnologia de Wuhan (WUT) em Wuhan, China.

Charles Lieber, 61 anos, foi indiciado por um grande júri federal em Boston por duas acusações de fazer e assinar uma declaração falsa de imposto de renda e duas por não apresentar relatórios de bancos e contas financeiras estrangeiras (FBAR) junto ao Internal Revenue Service. (IRS) – a Receita Federal americana. Em junho de 2020, Lieber foi indiciado por duas acusações por fazer declarações falsas às autoridades federais.

Lieber foi preso em 28 de janeiro de 2020.

A acusação alega que Lieber atuou como pesquisador principal do Lieber Research Group na Universidade de Harvard, que recebeu mais de US$ 15 milhões em bolsas federais de pesquisa entre 2008 e 2019. Sem o conhecimento de seu empregador, a Universidade de Harvard, Lieber teria se tornado um “cientista estratégico” na WUT e, mais tarde, participou do Plano de Mil Talentos da China entre pelo menos 2012 e 2015.

O Plano de Mil Talentos da China é um dos mais proeminentes planos chineses de recrutamento de talentos criados para atrair, recrutar e cultivar talentos científicos de alto nível para promover o desenvolvimento científico da China.

Sob os termos do contrato de três anos para Lieber, a WUT supostamente pagava um salário de até US$ 50.000 por mês, despesas de até US$ 150.000 e concedeu a ele mais de US$ 1,5 milhão para estabelecer um laboratório de pesquisa na WUT. Alega-se que em 2018 e 2019, Lieber mentiu às autoridades federais sobre seu envolvimento no Plano de Mil Talentos e sua afiliação à WUT.

De acordo com a acusação, nos anos fiscais de 2013 e 2014, Lieber obteve rendimentos do WUT na forma de salário e outros pagamentos feitos a ele, que ele não divulgou à Receita Federal (IRS) por meio das declarações de imposto de renda. A acusação também alega que Lieber, juntamente com os funcionários da WUT, abriu uma conta bancária em um banco chinês durante uma viagem a Wuhan em 2012. Posteriormente, entre pelo menos 2013 e 2015, a WUT depositou periodicamente partes do salário de Lieber nessa conta.

Os contribuintes dos EUA, segundo o Departamento de Justiça, são obrigados a relatar a existência de qualquer conta bancária estrangeira que possua mais de US$ 10.000. Lieber não teria cumprido com essa regra.

Penas

A acusação de fazer declarações falsas prevê uma sentença de até cinco anos de prisão, três anos de liberdade supervisionada e uma multa de US$ 250.000. A acusação de fazer e assinar declarações falsas de imposto de renda prevê uma sentença de até três anos de prisão, um ano de liberdade supervisionada e uma multa de US$ 100.000. A acusação de não declarar recursos em contas estrangeiras prevê uma sentença de até cinco anos de prisão, três anos de liberdade supervisionada e uma multa de US$ 250.000.

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