Graham: Republicanos já “têm os votos para confirmar” nova juíza da Suprema Corte

O senador republicano Lindsay Graham, presidente do Comitê Judiciário do Senado, confirmou na segunda-feira (21) durante entrevista ao apresentador Sean Hannity, da Fox News, que os republicanos já possuem os votos necessários para confirmar a escolha do presidente Donald Trump para a cadeira vacante da Suprema Corte.

“Conseguimos os votos para confirmar a substituição da juíza Ginsburg antes da eleição”, disse Graham. “Vamos avançar no comitê. Vamos relatar a nomeação fora do comitê ao plenário do Senado dos Estados Unidos para que possamos votar antes da eleição. Esse é o processo constitucional.”

Os republicanos possuem uma maioria de 3 senadores, dois deles, já declararam que não votam na indicada de Trump. São elas as senadoras Susan Collins, do Maine, e Lisa Murkowski, do Alaska. O senador republicano e adversário ferrenho de Trump, Mitt Romney, de Utah, disse nessa terça-feira (22) que vai “considerar o candidato do presidente”. Romney era uma incógnita e poderia ser a terceira deserção republicana, agora aparentemente descartada.

“Pretendo seguir a Constituição e os precedentes ao considerar o candidato do presidente. Se o candidato chegar ao plenário do Senado, pretendo votar com base em suas qualificações”, disse Romney.

Com o posicionamento de Romney, os republicanos têm ainda crédito para mais uma deserção, uma vez que o vice-presidente Mike Pence pode desempatar o placar da votação.

Anúncio será sábado

O presidente usou seu perfil no Twitter para confirmar que sua escolha para a Suprema Corte será anunciada no sábado na Casa Branca.

“Estarei anunciando minha nomeação para a Suprema Corte no sábado, na Casa Branca! Hora exata a ser anunciada.”

Ameaça democrata

Irritados com a possibilidade de Trump preencher a cadeira da Suprema Corte, líderes democratas ameaçam, se ganharem a Casa Branca, a Câmara e o Senado nas próximas eleições, aumentar o número de juízes na corte de modo a anular a vantagem conservadora – e provavelmente invertê-la em prol da esquerda americana.

A Suprema Corte tem nove juízes há mais de 150 anos. Mas a Constituição não exige nove; o número pode ser redefinido pelo Congresso.

“Mitch McConnell abriu o precedente. Nenhuma vaga na Suprema Corte foi preenchida em um ano eleitoral”, escreveu o senador democrata Ed Markey, de Massachusetts, na sexta-feira (18). “Se ele violar, quando os democratas controlarem o Senado no próximo Congresso, devemos abolir o ‘filibuster’ e expandir a Suprema Corte.”

Mesmo antes da morte de Ginsburg, vários candidatos presidenciais democratas disseram estar abertos à ideia, incluindo o senador democrata Cory Booker, de New Jersey; Kirsten Gillibrand, de Nova York; Amy Klobuchar, de Minnesota; Elizabeth Warren, de Massachusetts; e Kamala Harris, da Califórnia, agora candidata a vice-presidente.

“Deixe-me ser claro: se o líder McConnell e os republicanos do Senado avançarem com isso, nada estará fora da mesa no próximo ano”, disse o líder da minoria no Senado Chuck Schumer. “Nada está fora de questão.”

O candidato democrata à presidência, Joe Biden, ainda não se manifestou publicamente sobre a possibilidade de expansão do tribunal desde a morte de Ginsburg.

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