Estados decisivos registraram mais eleitores republicanos do que democratas

Dados oficiais sobre o registro de eleitores nos Estados Unidos mostram que em quatro anos o Partido Republicano atraiu mais eleitores do que o Partido Democrata em estados decisivos como Pensilvânia, Carolina do Norte e Flórida, o que pode ser um dos elementos mais importantes para a candidatura de Donald Trump em 2020.

De acordo com registros oficiais, os republicanos atraíram 133 mil eleitores a mais do que os democratas na Pensilvânia. Na Carolina do Norte, os republicanos atraíram 216 mil eleitores a mais do que o Partido Democrata às suas fileiras. Por fim, na Flórida, o Partido Republicano agregou 87 mil eleitores a mais do que o Partido Democrata. Os dados foram revisados pela Axios, com base em dados dos Departamentos de Estado da Pensilvânia, Carolina do Norte e Flórida.

Ao todo, a Pensilvânia registrou 164,800 novos eleitores republicanos entre as primárias de 2016 e 2020. O Partido Democrata registrou apenas 30 mil novos eleitores no mesmo período. Daí a diferença de pouco mais de 133 mil eleitores. Apesar da maior adesão aos republicanos os democratas continuam à frente com mais eleitores no estado do que os republicanos – vantagem que não garantiu a vitória democrata em 2016 no estado.

“Olha, o presidente ganhou nosso estado com 44.000 votos a mais [do que Hillary Clinton] em 2016 ”, disse Lawrence Tabas, presidente do Partido Republicano da Pensilvânia, ao The Inquirer . “Desde então, captamos e diminuímos a diferença (os democratas ainda têm mais eleitores registrados) entre nós e os democratas [em 133.000]. Então, já estávamos à frente com 44.000 [votos na eleição de 2016], e veja o que agregamos. “

Análise ampliada

Trump ainda aparece atrás em algumas pesquisas feitas até agora em alguns dos estados decisivos. O resultado, um retrato do momento, reflete a sensação do eleitor com o momento atual de instabilidade com a onda de violência promovida por movimentos como Antifa e Black Lives Matter; com a pandemia de coronavírus; e com a expectativa de recuperação econômica após os lockdowns estaduais. Resumidamente, nesse momento o eleitor americano considera que o país está em ‘maus lençóis’ e vem expressando isso em pesquisas.

Os três itens acima são alguns dos pontos mais críticos hoje para a frustração do eleitor com a situação do país. As três crises, porém, caminham para um contexto mais favorável nos próximos meses.

Anarquismo. Nos últimos dias, o número de pessoas indiciadas por autoridades federais vem aumentando, o que deve esfriar e intimidar futuros atos, o número de investigações sob responsabilidade do FBI já passam de 300; outra questão importante sobre o caos dos últimos meses, é o fato das forças federais uniformizadas terem recuado nos últimos dias, fazendo com que o ônus de atos futuros fiquem muito mais atrelados aos governos locais do que ao governo federal — que agora concentra mais seus esforços em ações de inteligência, investigação e geração de materialidade para acusações dos envolvidos em atos criminosos.

Pandemia. Sobre a pandemia do coronavírus, dados dos últimos dias começam a mostrar estabilização e queda na taxa de novos infectados, de hospitalização, e na taxa de mortes em alguns dos estados mais atingidos pela segunda onda de disseminação do vírus iniciada após a reabertura das economias nesses estados. Outro fator que já pode estar ajudando o presidente nessa área é a retomada dos briefings diários sobre a pandemia na Casa Branca que o presidente deixou de fazer em determinado momento. A retomada pode estar demonstrando mais transparência e liderança por parte de Trump acerca da pandemia. Tal medida pode já ter sido constatada pelo monitoramento diário da popularidade do presidente realizado pela Rasmussen.

Segundo o monitoramento diário do centro de pesquisas da Rasmussen, a popularidade de Trump voltou a ficar acima dos 50% após algum tempo abaixo dessa marca. Na segunda-feira, 3 de agosto, a popularidade alcançou 51%, contra 44% de Barack Obama no mesmo período de seu mandato.

Economia. Apesar da situação econômica ainda ser muito delicada, a expectativa para todos os indicadores é muito positiva tanto por parte de analistas externos como pela equipe econômica da Casa Branca. Os pacotes de estímulo econômico que já somam mais de US$ 6 trilhões – considerando também ações do Federal Reserve – e com a expectativa de um último pacote de no mínimo US$ 1 trilhão a ser aprovado possivelmente nas próximas semanas, impediram a economia de afundar ainda mais e gerou a expectativa de que os esforços governamentais dêem condições para uma retomada econômica mais rápida a partir de agora, sobretudo a partir do terceiro trimestre – julho, agosto e setembro – antes das eleições de 3 de novembro, portando.

Sabendo que a crise econômica não foi gerada por uma crise de confiança, mas por fechamento forçado da economia em decorrência de uma questão de saúde pública, a retomada econômica tende a voltar de maneira natural e mais rápida do que durante crises anteriores, como a ocorrida durante o governo Barack Obama.

Geração de empregos

O ritmo mais lento na retomada da geração de empregos vem sendo atribuído não por falta de estimulo ou ajuda estatal, mas principalmente pelo excesso de apoio financeiro dado por meio de um auxílio emergencial de desemprego do governo federal.

O programa contemplou desempregados com cheques de US$ 600 semanais – ou US$ 2,400 mensais, o que em muitos casos, sobretudo para quem trabalha apenas meio período, tornou mais vantajoso continuar na dependência do auxílio do que voltar ao mercado de trabalho. Estima-se que o programa chegou a gerar até mesmo pedidos de demissão por parte de trabalhadores que ganhariam mais com o auxílio do que com o salário pago pela empresa.

Para enfrentar esse efeito colateral em específico, o plano proposto por republicanos para o último pacote de estímulo federal prevê diminuir o auxílio federal dos US$ 600 atuais para apenas US$ 200, forçando a volta ao mercado de trabalho, que em boa parte, está preparado para recontratações.

Impasse sobre o pacote. A decisão sobre o próximo pacote de estímulo, no entanto, parece estar distante de ser tomada já que vem sofrendo forte oposição dos democratas no Congresso. Entre os pontos que separam democratas de republicanos está uma demanda da oposição democrata para um pacote de valor superior a US$ 3 trilhões com o propósito de incluir um socorro financeiro aos estados e municípios, que começam a sentir agora as consequências do fechamento econômico promovido por eles mesmos meses atrás.

Biden

Outro fator importante a ser considerado é o perfil do candidato democrata, ainda apoiado por muitos eleitores, mas que vem demonstrando fortes sinais de declínio em sua saúde, sobretudo na capacidade cognitiva, perceptível em praticamente todas aparições públicas do candidato. Não à toa, a campanha democrata vem impedindo que Joe Biden se exponha, mantendo-o fora de situações em que tenha que falar de improviso, sem um teleprompter.

Fatores como maior interesse do americano com o processo eleitoral, o que geralmente ocorre após o feriado de Labor Day (Dia do Trabalho), neste ano em 7 de setembro; a possível participação de Biden em debates com Trump; e a inevitável maior exposição do candidato ao público, podem gerar insegurança por parte do eleitor democrata, que segundo pesquisas, é menos convicto com Joe Biden, do que o eleitor republicano, com Trump.

Outro fator que pode atrapalhar o desempenho de Biden ao longo dos próximos três meses, é o caso que envolve seu filho, Hunter Biden, em um esquema de provável troca de favores entre o então vice-presidente Joe Biden e a Ucrânia. Na ocasião, Hunter ganhou uma vaga no board de uma empresa ucraniana em troca de pressão do então VP para que a Ucrânia suspendesse uma investigação contra a empresa.

Não bastando esses fatores, existem hoje suspeitas de assédio sexual por parte de Joe Biden contra mulheres que podem falar mais sobre os casos nesse período. Algumas cenas de contatos físicos e declarações públicas de Biden com crianças também assustam alguns americanos.

China

A expectativa portanto é de que na medida em que esse novo contexto comece a se materializar diante do olhar do americano, e o candidato democrata se torne mais conhecido por parte do eleitorado, o apoio ao presidente seja recuperado, dando força ao republicano nas urnas.

A China vem se tornando motivo de grande preocupação do americano, revelam pesquisas. A visão dos americanos sobre a China continua a piorar, de acordo com uma nova pesquisa do Pew Research Center. Hoje, 73% dos adultos norte-americanos afirmam ter uma visão desfavorável da China, um aumento de 26 pontos percentuais desde 2018. Somente em março, as visões negativas da China aumentaram 7 pontos, e há uma sensação generalizada de que a China lidou mal com o surto inicial e subsequente a disseminação do COVID-19.

Nessa área, Trump também tem desempenho superior a Biden, que chegou a chamar as ações de Trump contra a China como xenofobia. Trump por outro lado escalou a retórica contra o regime comunista, o que certamente ecoará na opinião pública.

Desempenho nacional de Trump começa a melhorar

De acordo com o Real Clear Politics, que consolida dados de diversas pesquisas em todo o país, uma ainda pequena oscilação positiva de Trump e negativa de Joe Biden nos últimos dias, pode revelar o início de uma recuperação de popularidade de Trump.

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