Debate: Trump e Biden falam para própria base, mas um falou melhor que o outro

ANALISE / OPINIÃO – por Guilherme L Campos

Trump entrou no ringue no papel de Trump, ou seja, na ofensiva, sem medo de ser politicamente incorreto ou indelicado. Defendeu de maneira vigorosa suas ações de governo, defendeu suas ideias de modo convicto, apoiou a polícia e condenou a violência. Defendeu sua escolha para Suprema Corte e condenou o plano ambientalista democrata, o Green New Deal. Seu eleitor ouviu o que já está acostumado a ouvir.

O ponto alto da ofensiva de Trump foi sem dúvida quando levantou o caso dos US$ 3,5 milhões que Hunter Biden, filho do candidato democrata, teria recebido da primeira-dama de Moscou, na Rússia, segundo relatório do Senado americano. Biden ficou visivelmente perturbado com a questão, Trump percebeu e insistiu o quanto pôde no assunto.

O ponto fraco de Trump, em termos práticos, foi a falta de uma estratégia mais bem definida para alcançar novos eleitores como indecisos e democratas moderados, sobretudo as mulheres. Não perdeu, e talvez não tenha ganho eleitores.

Biden

Biden por outro lado entrou tentando agradar diversos grupos diferentes de eleitores entre os quais pede voto; objetivo maior do democrata foi o de não comprometer sua candidatura, flertou com vários grupos distintos ao mesmo tempo e, talvez por isso, tenha perdido eleitores – dos radicais aos moderados.

Biden negou Green New Deal e depois falou que o programa radical capitaneado pela socialista Alexandria Ocasio Cortez ia gerar milhões de novos empregos ao mesmo tempo que eliminaria milhões de outros empregos. O plano prevê a extinção quase total das fontes de energia fósseis em poucos anos no país que mais depende de energia no mundo.

Um problema real que Biden tem nessas eleições é a missão impossível de jogar para dois times aos mesmo tempo. O time dos radicais Antifa e Green New Deal e para os moderados que só querem ver o Trump perder, mas que prezam por certos limites.

O que acontece, então, quando o democrata classifica Antifa como uma “ideia” e não uma organização? Ele preocupa eleitores moderados que são contra violência promovida pela “ideia” Antifa.

O que acontece quando o democrata não consegue exaltar os homens e mulheres da polícia que deixam suas casas de manhã não para matarem negros mas para protegerem e salvarem vidas para que os outros possam viver em paz? Ele reforça ainda mais o ponto que ele não está comprometido com a segurança e com o restabelecimento da lei e da ordem no país.

Com isso, o democrata perde eleitores moderados.

Biden disse durante o debate que não haverá Green New Deal em seu governo quando antes e depois disse que sim, haverá Green New Deal e que os mais ricos — leia-se: aqueles que podem mudar de país ou transferir suas riquezas e suas empresas (empregos) para países vizinhos — é que vão pagar a conta já estimada de US$ 4 trilhões em aumento de impostos.

O Green New Deal, o democrata não nega, eliminará milhões de empregos na indústria energética americana, além de reduzir a capacidade da economia de produzir riqueza, mas a perda de empregos, segundo o candidato, será compensada por novos empregos. Não deu maiores detalhes.

Parece arriscado apostar que um país como os EUA possa se mover à base de painel solar e energia éolica. Parece. Mas esse vacilo do candidato em hora dizer que terá Green New Deal para depois negar, e depois voltar atrás, para depois recuar do recuo, sem dúvida irrita a horda de radicais ciumentos autores do projeto que demandam sempre fidelidade pública e ilimitada aos seus ideias de revolução.

Biden também negou Bernie Sanders. Disse que Bernie é alguém que ele derrotou nas primarias. Bom, o plano de governo de Biden foi feito pelo Bernie Sanders. Ele não deve ter gostado. A também socialista Alexandria Ocasio Cortez já disse que Biden precisa ir mais à esquerda. Tá pouco. Mas ele ora vai, ora volta. Ela também não deve estar contente.

Nesse vai-e-vem na defesa da agenda e dos personagens mais extremistas do novo partido democrata, até o eleitor radical, que nunca amou Biden, pode desistir de votar nessas eleições.

Conclusão

Biden é, portanto, um candidato sem ideias próprias, sem convicção, que oscila entre a extrema-esquerda e a centro-esquerda, não parece capaz agregar mais eleitores do que já agregou e tem tudo para começar a perder entre os dois públicos, como quem perde a mulher e a amante ao mesmo tempo.

Falar que a rispidez e a postura belicosa que Trump mostrou no debate pode prejudicar o republicano, é esquecer como ele foi eleito em 2016.

Trump não parece ter desapontado ninguém, já o Biden…

O que você pensa sobre esse assunto?