Comunidade negra de Nova York pede que NYPD restabeleça unidade anti-crime

Após outro fim de semana trágico de violência na cidade de Nova York, incluindo a morte de uma criança de um ano, dois membros da comunidade negra pediram à polícia de Nova York que traga de volta a Unidade Anti-Crime recentemente dissolvida pelo prefeito democrata Bill De Blasio para ajudar no combate a esse tipo de violência.

Durante uma entrevista para emissora local da CBS Foi um momento dramático – o presidente do bairro do Brooklyn, Eric Adams, segurando um par de sapatos de bebê na segunda-feira, depois que uma criança de um ano se tornou a mais recente vítima de violência armada, pega no fogo cruzado em um churrasco em família poucas horas antes.

“Os bebês não devem usá-los em um caixão”, disse Adams.

Eric Adams, um ex-policial, atualmente presidente da associação de moradores do Brooklyn, tornou-se o segundo membro da comunidade negra a pedir à polícia de Nova York que interrompa a violência reinstituindo a Unidade Anti-Crime, grupo que atua com policiais disfarçados, cujo trabalho principal é o de retirar armas utilizadas por criminosos das ruas da cidade. A unidade foi dissolvida durante protestos anti-polícia que até hoje abalam a cidade.

“Penso que uma eliminação total é algo que precisamos reavaliar”, disse Adams. “No momento, os bandidos estão dizendo que, se você não vê um azul e branco (referência ao uniforme dos policiais), pode fazer o que quiser.”

O ativista comunitário Tony Herbert concorda.”O sangue está nas mãos do prefeito e do Legislativo estadual”, disse Herbert.

O prefeito Bill de Blasio criticou os tiroteios e aproveitou o momento para criticar as armas de fogo, poupando quem as utilizam para o cometimento de crimes.

“É comovente. É de partir o coração por muitas razões e começa com o fato de haver tantas armas por aí e isso é uma tragédia em Nova York ”, disse de Blasio.

O prefeito, porém, não propôs novas soluções para acabar com a onda de violência. Os tiroteios na semana aumentaram 277%. Foram 49 em comparação com 13 em 2019. O número de vítimas aumentou 253%, 60 em comparação com 17 em 2019.

Ao todo, o último fim de semana de violência na cidade de Nova York teve como saldo 22 tiroteios e 28 vítimas.

Criança de 1 ano morta durante churrasco de família

Davell Gardner Jr., de 1 ano de idade, morreu após levar um tiro no estômago enquanto estava sentado em seu carrinho durante um churrasco perto de um playground em Bedford-Stuyvesant na noite de domingo.

O tiroteio que resultou na morte do menino de 1 ano aconteceu por volta das 23h30 do último domingo. A polícia acredita que a emboscada foi feita por dois homens que dispararam mais de 20 tiros, um deles acertando Gardner Jr. Três adultos também foram feridos no mesmo episódio, mas até a última informação divulgada pelas autoridades, não corriam risco de morte.

“O crime está em alta. As pessoas estão se matando. Há muito ódio”, disse William Berry, morador da região a uma emissora de TV. “Temos que aprender a ficar juntos”, completou.

O chefe do Escritório de Relações com a Comunidade do Departamento de Polícia de Nova York, Jeffrey Maddrey, lamentou o assassinato e disse que essa onda de violência deve acabar. “Três pessoas feridas e um bebê morto. Isso. Deve. Acabar!”, disse Maddrey em seu perfil do Twitter.

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